CORPO FEMININO, CORPO POLÍTICO: DE FUSTIGADO À DEVORADOR DO INSTITUÍDO

Ana Maria Colling, Ana Carolina Acom

Resumo


Escrever sobre corpo feminino e moda é escrever sobre consentimentos e transgressões. De um corpo construído historicamente, alvo e efeito de artefatos culturais e pedagógicos para um corpo político. Corpo que sempre foi motivo de suspeitas, centro de relações saber/poder. A questão do aborto, sua descriminalização, está no centro dos debates, a quem pertence este corpo. “Meu corpo me pertence” foi palavra de ordem no movimento feminista, que balançou o mundo nas décadas de 60/70 e continua sendo o mote dos novos movimentos feministas, como a Marcha das Vadias. A moda se constitui em um corpo que é lido pelo que veste ou despe. O campo da Moda, além do consumo e mudanças, refere-se a qualquer relação de um corpo vestido ou adornado, ou na ausência de vestes (o corpo desnudo), e ainda, as vestes sem corpos. Mesmo em povos sem roupas, encontramos adornos, apêndices corporais utilitários ou pinturas simbólicas da pele. Dessa maneira, podemos pensar o corpo feminino como resistência e máquina de guerra: a nudez em performances artísticas contemporâneas, a expressividade política de manifestações, assim como em corpos trans, sem definições, mas constituindo estéticas que compõem outros modos de existência. O corpo presente na Marcha das Vadias é subversivo, está ali como máquina de guerra: peitos à mostra ou mensagens pintadas que o vestem. A estética da mulher trans ou de uma drag queen rompe com a expectativa do gênero designado àquele indivíduo, e será através da Moda que essa construção de um novo corpo tomará forma.
Palavras-chave: Feminismo. Mulher. Corpo. Moda.

ABSTRACT
Writing about feminine body and fashion is to write about consents and transgressions. It is to write about a historically constructed body. The feminine body has always given reasons for suspicion, and was a center of knowledge / power relations. The issue of abortion is at the center of the debates. “My body belongs to me” was a slogan in the feminist movement, which shook the world in the 60s and 70s, and continues to be the motto of the new feminist movements, such as the SlutWalk. Fashion is in fact a body that is read by what it wears or strips. The field of fashion refers to any relation of a body, either dressed, adorned, or in the absence of clothing (the naked body), and still, the clothing without bodies. Even when people do not wear clothes, we find adornments, appendages or symbolic paintings in the skin. In this way, we can think of the feminine body as resistance and also as a war machine: nudity in contemporary artistic performances, political expressiveness, as well as in trans bodies, without definitions, but constituting aesthetics that compose different forms of existence. The body presented in the SlutWalk is subversive, it is a war machine: breasts on display or painted messages. The aesthetics of the trans woman, or drag queens, break with the expectation of the gender assigned to an individual, and it will be through Fashion that this construction of a new body will take shape.
Keywords: Feminism. Woman. Body. Fashion.


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DOI: https://doi.org/10.25112/rpr.v2i0.1855

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