KEHINDE: UMA VOZ INSURGENTE EM UM DEFEITO DE COR, DE ANA MARIA GONÇALVES.
DOI:
https://doi.org/10.25112/rpr.v2.4682Resumo
No presente artigo, analisamos Um defeito de cor (2006), de Ana Maria Gonçalves, a partir da relação entre discurso histórico e ficcional, que se manifesta por meio da voz insurgente da protagonista Kehinde. A narrativa evidencia como a insurgência feminina é construída por intermédio de aspectos da opressão patriarcal e da subversão, destacando as formas de resistência das mulheres diante desses cenários, de forma a representar uma tentativa de escapar das amarras sociais. Para tanto, a fim de atingir os objetivos propostos, esta análise se ancorará em diferentes abordagens discursivas refletidas à luz dos estudos de Aníbal Quijano (2005), María Lugones (2014); reflexões acerca do lugar de fala, de Djamila Ribeiro (2019) e as interseccionalidades de opressões discutidas pela ativista Angela Davis (2019). Destacamos, ainda, que Gonçalves produz um trabalho narrativo em que História e ficção se entrecruzam, de modo a fazer emergir o lugar de fala de Kehinde, mulher negra inserida no contexto das relações culturais e sociais do Brasil-Colônia, que resisti a opressões destinadas à quem ocupava às margens do poder político e econômico, bem como resistia a tais opressões e formas de silenciamento.
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