A LITERATURA COMO ESPAÇO DE INSCRIÇÃO: LEITURAS DE CORPO DESFEITO DE JARID ARRAES
DOI:
https://doi.org/10.25112/rpr.v2.4681Resumo
Este artigo reflete sobre as relações entre violência, literatura e escrita a partir da obra Corpo Desfeito (2022), de Jarid Arraes. Inserido no campo da literatura produzida por mulheres negras brasileiras, o trabalho interroga de que modo a escrita pode constituir um espaço de inscrição e existência frente a experiências marcadas pela violência de gênero e pelo silenciamento. A partir de uma escrita ensaística, articulam-se discussões sobre crueldade, violência de gênero e literatura, tomando a trajetória da personagem Amanda como eixo de análise. A reflexão evidencia que a violência não se restringe a acontecimentos isolados, mas se produz também por mecanismos cotidianos de controle, apagamento e negação da experiência. Nesse contexto, a literatura é compreendida como prática capaz de produzir linguagem para experiências historicamente silenciadas, favorecendo sua circulação, memória e transmissão. Conclui-se que a escrita, especialmente na produção literária de mulheres negras, pode operar como mediação diante da violência, criando brechas nos processos de silenciamento e afirmando a literatura como espaço de existência, memória e reconhecimento.
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