ESCREVER A FORMAÇÃO: DOCÊNCIA, MEMÓRIA E TRANSMISSÃO EM É FOGO!, DE MARIA HELENA DO SUL
DOI:
https://doi.org/10.25112/rpr.v2.4585Resumo
Este artigo analisa o livro É fogo! (1987), de Maria Helena Vargas da Silveira, como uma narrativa que articula memória, docência e experiência negra no sul do Brasil. No entrecruzamento entre ficção e autobiografia, a obra constrói a escrita como gesto formativo, no qual a experiência singular se abre à dimensão coletiva de uma memória marcada por racismo, sexismo e desigualdades educacionais. Sustenta-se que a escrita opera como recurso de formação docente, deslocando o ensino de uma lógica técnico-instrumental para o campo da transmissão, entendido como espaço de hiância, desejo e invenção. Dialogando com o conceito de escrevivência, de Conceição Evaristo, e com a noção de oralitura e corpo-tela, de Leda Maria Martins, o estudo compreende a obra como inscrição de um corpo-memória que grafia saberes na linguagem. À luz das reflexões de Lélia Gonzalez sobre memória e consciência, argumenta-se que a narrativa rasura discursos hegemônicos ao inscrever um nome próprio e uma ancestralidade. Assim, É fogo! afirma a docência como prática ética, política e afetiva, instaurando, pela escrita, um gesto de descolonização e reinvenção do sujeito.
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