RANCHOS FOLCLÓRICOS E PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL NA ÁREA METROPOLITANA DO PORTO: CARTOGRAFIA CULTURAL, INTELIGÊNCIA TERRITORIAL E POLÍTICAS CULTURAIS PARTICIPATIVAS
DOI:
https://doi.org/10.25112/rcodis.v2.4798Resumo
Esse artigo propõe uma reflexão crítica acerca das relações entre patrimônio cultural imaterial, cartografia cultural e governança territorial a partir da análise dos ranchos folclóricos identificados no âmbito do projeto Mapeamento do Setor Cultural Metropolitano, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. A investigação articulou levantamento quantitativo, sistematização digital de dados culturais e processos de escuta territorial realizados em 17 municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP). A presença dos ranchos folclóricos na região revelou que a permanência de estruturas comunitárias de transmissão de saberes e ocupação simbólica do espaço público, excedem os limites administrativos do inventário cultural tradicional e como determinadas formas culturais desestabilizam os próprios regimes contemporâneos de classificação da cultura. Teoricamente, o artigo dialoga com debates contemporâneos sobre patrimônio cultural imaterial, cartografia cultural crítica, ecossistemas culturais e políticas culturais participativas. Por sua capacidade organizativa, os ranchos folclóricos desafiam a percepção anacrônica da tradição na contemporaneidade e quando mapeados e identificados como indicadores culturais, deslocam-se da forma descritiva do inventário para uma base de interpretação social das continuidades comunitárias que atravessam a experiência metropolitana.
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